domingo, 8 de maio de 2011

Revival da Lady Murphy

É. Agora eu sei como se sentem aquelas bandas que a gente adora, e que já acabaram, mas vez por outra se reúnem pra fazer um show, para delírio dos fãs!
Aconteceu comigo, sábado passado (07/05) na festa do casamento do brother Ricardo Novelino, guitarra-base da LM! A pista lotou! É sempre muito bom tocar com esses caras!
Vê aí a grande gréia!


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fica, vai ter boato!
















Texto extraído do excelente blog Batida Salve Todos (www.batidasalvetodos.com.br)

por Téta Barbosa

Conseguimos mais um feito histórico: somos agora, oficialmente,
a cidade mais boateira do MUNDO! Não basta ter o melhor carnaval, a maior avenida, o maior shopping, o maior bloco. Temos agora o maior boato!

- Alô, filha? Você está onde?

- No carro indo pro shopping.

- Volte AGORA! Vá pra casa! A barragem de Carpina transbordou, o nível do Capibaribe subiu e às 17:15, exatamente (meu pai sempre foi pontual), teremos maré alta. Isso significa muita água.

Dei meia volta (acreditar no pai é prerrogativa fundamental para sobrevivência familiar) enquanto meu telefone tocou de novo.

- Alô, irmã? Tais onde?

- Já sei. É pra ir pra casa.

- Não! É pra ir pro TWITTER agora. O boato se espalhou e as frases estão impagáveis. #adoroboato

Quando eu cheguei em casa, o mundo já tinha se acabado (segundo o twitter). Carpina já tinha virado Tapacurá, a cidade estava alagada e a arca de Noé já estava vendendo passagens antecipadas (com saída prevista para as 17:15 precisamente). Uma onda de 30 metros se aproximava do Shopping Plaza (que, por este mesmo motivo fechou suas portas às 16h). Pânico, correria e confusão (imagine no dia que o Shopping Recife fechar, dizia @jeufigueiroa).

As empresas começaram a liberar seus funcionários (essa parte não é boato). Escolas fecharam, faculdades cancelaram as aulas, reuniões foram remarcadas, as linhas telefônicas ficaram congestionadas. Isso tudo antes da maré alta.

Resultado: o maior engarrafamento que o Recife já viu na vida (olha aí, temos outro record).

Agamenon transbordou (de carros). Os canais encheram (de lixo) Recife alagou (de boatos).Tapacurá explodiu (no trending topics).

Sim, no Trending Topics internacional só dava Tapacurá. Imagina o gringo, que toma conta do Trending Topics se perguntando: “Que porra é Tapacurá? Será um novo jogador da seleção brasileira?”

Enquanto isso, @lusenalto avisava: “Acharam o corpo de Bin Laden boiando no canal da Agamenon após inundação” . A “notícia” foi confirmada pelo jornalista @santoskk que dizia com convicção ” Casa Branca confirma: corpo de Bin Laden não foi jogado ao mar, mas nas correntezas do Capibaribe” e pra completar, nossa presidenta Dilma anunciava a criação do BALSA-família para Recife!

Calma, calma, isso tudo faz parte da ação de marketing da COMPESA, que assim como a Prefeitura tem o lema: A gente faz, depois a gente mostra! Então? A gente não prometeu água e esgoto em TODO o RECIFE?

O jornalista @joaovaladares (que assim como @santoskk) já tinham aderido ao movimento #assumaseuboato , clamava por um posicionamento do Prefeito. “João da Costa, vai que é tua. Olha a chance de aparecer e salvar seu mandato”.

João da Costa? E ele existe? Nessa confusão, eu podia jurar que ele era mais um boato!

Ou sei lá, depois de Madrid soube que ele foi visto no casamento de Kate e William e de lá seguia para a missa de sétimo dia de Bin Laden. Sabe como é, esse pessoal político é muito ocupado com essas coisas importantes. Eles não tem tempo pra ficar twittando boato de enchente,né?

@santoskk, pra acalmar os ânimos avisou em off ( e entre aspas, porque já era um RT) : “Não diz p ninguém p não gerar pânico, mas tá dando um metro de água na Igreja da Sé.”

E o #assumaseuboato bombava nos trends de Raincife.

O pobre do @carlospercol (PercolMeuFilho, para os íntimos – que é assessor de imprensa do Governador Eduardo Campos, amigo de infância do meu irmão e o nome do peixe do meu filho) suava (eu imagino) e twittava sem parar : “A situação está sob controle. O Governador avisa que não há motivo para pânico. Tapacurá (mas não era Carpina? ) está funcionando normalmente”.

Percol, meu filho, a gente só quer saber se Eduardo é ou não é filho de Chico Buarque! Ele vai falar sobre isso na coletiva?

Fora do twitter, na vida real, o engarrafamento tomava proporções épicas. Tudo parado! No rádio tocava sem parar “Tomar banho de canal quando a maré encher” (versão de Nação Zumbi porque, por mais que Fabinho seja gatinho, é desafinado que dói).

E o boato crescendo, e o boato crescendo . As compotas da barragens de Carpina vão estourar a qualquer momento!

- Pessoal, quem tem COMPOTA é doce de goiaba, ok?, ensinava @williampaiva

Nunca, em toda minha vida, tive tanta pena de jornalista. A pobre da @clagoes twittava aflita: “é boato, é boato” e dava, como boa jornalista, informações (daquelas, de verdade). Alguém queria ouvir? Claro que não! @realejo inclusive sugeriu: “se a gente continuar o boato até amanhã de manhã, vai ter feriado prolongado em Recife” #assumaseuboato

Meu medo começou quando os amigos (vários) avisaram : estamos indo pra tua casa. O boato é que Aldeia é o único lugar que não vai alagar!

O que eu posso dizer, além de: “alguém traz a cerveja, por favor”

Agora sério: pra quem não é de Recife e não entendeu porra nenhuma desse post, eu explico! Em 1975 (na era pré twitter) surgiu um boato (dos grandes) que a recém inaugurada Barragem de Tapacurá havia estourado e que, uma onda de mais de 30 metros iria destruir o Recife. Pânico é pouco pra descrever a confusão. Histórias hilárias (hoje, porque no dia foram trágicas) surgiram desse desespero coletivo. Toda reunião familiar que se preze, depois de algumas cervejas, sempre acaba com as narrativas do dia que a represa não explodiu! Isso virou até filme (dirigido por Nelson Caldas), piada, conto, música.

No fundo, dá até um alívio ter participado do boato de hoje. Pelo menos vou ter o que contar para meus netos!

- Oxe Téta, esse blog não é sobre moda?

- Mas, se Tapacurá tá no TRENDING TOPICS internacional, é porque tá na moda!

Ah, quase que eu ia esquecendo: não alagou, não chuveu, não transbordou. Agora, se Dudu é ou não filho de Chico Buarque, isto ainda não está devidamente esclarecido!


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Homem que sabia djavanês

















Eu tinha chegado fazia pouco ao Rio de Janeiro e estava literalmente
na miséria. Vivia fugindo de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro. Até que um dia, lendo 'O Globo', deparei com este anúncio: 'Precisa-se de um professor de djavanês'.

A audição das músicas de Djavan sempre provocou em mim puro mal-estar físico. Mas, enfim, precisava de grana e decidi fazer o possível para vencê-lo.

Naquela semana, fui a todos os barzinhos com música ao vivo da cidade. Perdi a conta de quantas vezes escutei 'e o meu jardim da vida ressecou, morreu' ou 'amar é um deserto e seus temores'. Foram sete dias de tortura; contudo, saí deles com o djavanês na ponta da língua. Em vez de mandar meu currículo, achei que conviria visitar o endereço indicado no anúncio. Era um tríplex de cobertura, decorado com muito dinheiro e mau gosto ainda maior, num dos bairros mais caros do Rio.

Apresentei-me como professor de djavanês e, após ser submetido a inquérito pelos empregados, fui levado à presença do patrão, o doutor Albernaz. Ele me recebeu com um sorriso visivelmente irônico. 'Então o senhor é professor de djavanês, hein?' “Sim, sou”.

Formado em djavanês e com mestrado em beregüê. Tive dez com louvor na minha tese sobre a influência de Carlinhos Brown na obra de James Joyce”.

A tese, obviamente, não existia, mas o doutor Albernaz pareceu acreditar na conversa. 'Então, só o senhor pode me ajudar. Ouça isto, por favor' - e pôs nas minhas mãos uma coletânea do Djavan em CD.

Ao notar minha cara de ponto de interrogação, ele contou sua história. 'Pouco antes de morrer, meu pai me entregou esse CD e disse: ''Filho, tenho certeza de que Djavan canta coisas muito profundas, mas ouvi suas músicas durante anos e nunca consegui entender 'COISA ALGUMA'.

Só podem ser segredos iniciáticos transmitidos da maneira mais hermética possível. Descubra o significado e você obterá a chave da felicidade'.' O doutor Albernaz abriu o encarte do CD e me mostrou uma das letras: ''Obi, obi, obá. Que nem zen, czar. Shalom Jerusalém, z'oiseau'.' O que é isso?.

Eu estava tenso com a pergunta do doutor Albernaz. Tantas músicas do Djavan e o velho tinha de querer saber o que significava a letra de 'Obi'?

Desgraçado. Se ainda fosse aquela do 'o amor que é azulzinho', mas era tarde. Ele tinha os olhos fixos em mim: queria respostas.

Todo o sucesso da minha empreitada dependia de uma explicação convincente e imediata.

De repente, uma idéia. Começo: 'Veja bem. 'Obi' é certamente uma referência a Obi-Wan Kenobi, o sábio de 'Guerra nas Estrelas' interpretado por sir Alec Guinness. 'Obá', por sua vez, remete a 'Djobi Djobá', sucesso dos Gipsy Kings. Djavan buscou contrastar o lado luminoso e britânico da força com os mistérios nômades da alma cigana.

A mesma tensão dialética pode ser verificada no verso subseqüente, 'que nem zen, czar': a contemplação espiritual dos monges budistas e o poder absoluto dos czares.

Perceba como tese e antítese se resolvem lindamente na síntese do verso seguinte: 'shalom Jerusalém' é a paz do espírito na divina cidade..

É ela que faz a alma se elevar aos céus, como um pássaro ('z'oiseau')'.

Os olhos do doutor Albernaz se arregalaram enquanto eu falava. Dois segundos depois de eu terminar, ele gritou: 'Que maravilha! Sabia que havia algo de muito profundo nessa letra! O senhor é um gênio da hermenêutica, um mestre do djavanês!'. Passei a tarde inventando explicações para todas as outras letras do CD - Açaí guardiã..., Kremlin-Berlim-pra-não-dizer-Tel-Aviv..., índio cara-pálida cara de índio...

Citei Joyce, Pound, Oswald, Glauber, Zé Celso, Hélio Oiticica e Odair Cabeça de Poeta: name-dropping é comigo mesmo. Daí por diante, minha ascensão social estava garantida. Eu era o único intelectual do país capaz de traduzir a transcendência da linguagem de Djavan.

Tinha prestígio acadêmico e subsídio do
Ministério da Cultura; gostosíssimas estudantes de lingüística rasgavam as roupas e se atiravam aos meus pés. Mas troquei tudo por um violão, sandálias de couro cru e um penteado novo. Mudei até meu nome graças ao djavanês.

Hoje me chamo Jorge Vercilo e sei que 'nada vai me fazer desistir do amor”

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Livre arbítrio
















As teorias darwinistas e os inúmeros estudos de ciências naturais são categóricos em afirmar que, embora descenda dos símios, o ser humano é o único animal dotado de racionalidade. É, por isso mesmo, capaz de deliberar sobre seu comportamento, dentro e fora da sociedade. Graças a esse raciocínio lógico, o homem decide seu próprio destino. A isso foi dado o nome de livre arbítrio.


Em períodos de trevas, como na Idade Média, essa característica tão própria do ser humano andou capengando. Instituições fortes – invariavelmente capitaneadas pela Igreja – eram as senhoras dos destinos de todos. Dos grandes reis e seus ministros até os mais insignificantes plebeus. Pobreza, pestes e outras desgraças que se abatiam sobre a frágil sociedade vinham acompanhadas de justificativas divinas. Quase sempre punitivas. E assim eram aceitas pela massa desorientada, analfabeta e miserável.

Nos dias atuais, porém, causa surpresa – ou não? – o número de pessoas recorrendo ao divino para justificar suas próprias dificuldades, insucessos, infelicidades, não-realização. Mesmo diante da incrível gama de informações às quais até boa parte dos menos favorecidos têm acesso, nos intervalos das telenovelas, por exemplo.

Mexer com o senso religioso é algo complicado e melindroso. Tanto que talvez nem adiante dizer que neste texto não vai qualquer carga de preconceito. Alguns inevitáveis dedos me serão apontados, queira eu ou não. Afinal, não estamos mais no medievo, mas o tema permanece arraigado nas profundezas do inconsciente das pessoas. Ainda assim, arrisco-me: cada vez mais pessoas estão transferindo para o divino responsabilidades que não cabem a ninguém mais senão a elas próprias.

Um exemplo prático está nas ruas da cidade. Basta uma leitura dos pára-choques e adesivos colados nos vidros dos carros, com sentenças definitivas, do tipo: “É assim porque Deus quis”. Fácil, não? Ele quis, e pronto.
E que tal essa outra, colada no pára-brisa de um velho fusca: “É meu porque foi Deus quem me deu”. Ora, e Deus financia automóvel? Não seria melhor dizer que trabalhou duro e, "graças a Deus", conseguiu comprar o carrinho?

Tem outros, mais otimistas, que tentam demonstrar uma sólida confiança, sabe-se lá tirada de onde. Como o dono de uma kombi - bem rodada, por sinal - que, estampando seu adesivo, adverte aos eventuais gatunos: “Veículo rastreado pelo senhor Jesus”. Pronto! Quem, em sã consciência, se arriscaria a roubar um patrimônio tão bem guardado?

Outros entregam cegamente o volante ao Divino: "Dirigido por mim, guiado por Deus". OK, mas em caso de acidente, os pontos vão para a carteira de habilitação do motorista ou do "Guia"? E tem ainda aquela clássica, muito usual nos pára-choques de caminhões: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. O governo? O Fisco? Quem sabe, a sogra? O ladrão? E por aí vai...

Com o perdão dos mais fiéis, essa enxurrada de adesivos me incomoda. Que Deus existe, não discordo. Seja lá que forma assuma para este ou aquele crente. Eu mesmo não deixo de invocá-Lo, vez por outra, em momentos de maior aperreio. Só não entendo porque insistir em imputar esse excesso de trabalho ao Homem. Não seria a hora de cuidar da própria vida? De usar o dote dado por Ele – ao menos assim nos dizem desde pequenos – do livre arbítrio?

Afinal, com cada um zelando mais por si e apelando menos para o divino, é bem capaz d'Ele arrumar tempo livre para cuidar dos problemas realmente sérios e graves que vemos grassando por esse mundão de Deus.


* Escrito em 19/02/2008

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A pressa necessária













Nada de rever conceitos! É simplesmente necessário dizer a verdade, abraçá-la e dormir com ela. Assim, se morremos, morremos na verdade. Nunca na mentira. E se tudo parecer apenas uma bela brincadeira de crianças, ainda melhor. Afinal, são as crianças que levam mais a sério tudo o que fazem.


Vive-se para morrer. Inegável sentença. Mas, enquanto vive-se, mantém-se a inexorável esperança de continuar vivo. E se, para alguns, é mais fácil fingir equilíbrio nessa expectativa diante do que vem à frente - assim como, para outros, mais tranqüilizador é apostar no porvir - por que não renovar a esperança a cada despertar, apenas?


Acordo, logo, estou vivo. Tão simples que não há porque pedir mais.

Reluto em dormir porque quero permanecer noite. Mas até ela, a noite, dorme. Então, durmo com ela, na esperança de despertar com o sol. E no dia seguinte, também ele dorme. Assim segue o ciclo da vida. Impermanente e fugaz.

Explica-se, dessa forma, a dificuldade de esperar os fatos. E mais: os planos. Que planos? Melhor seria reforçar os desejos, tão somente. Saber esperar? Não interessa aprender tanto. Interessa saber do agora. Que daqui a pouco é passado.


Não é o rouxinol, mas a cotovia quem está cantando. A ela, apressada, cabe anunciar o dia seguinte, enquanto seu parceiro inda comemora a noite anterior. E quando canta a cotovia, Julieta, se insistires em segurar o tempo, teu Romeu é um homem morto.


Não quero esperar mais. Nem posso. Está em tempo. Tempo de colher o que foi plantado com dedicação ainda ontem.
Não há mais motivo de espera. Tudo está claro como o dia. Manifeste-se!

* Grato, mr. William

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ghost of a chance










Uma das mais belas do RUSH, no Roll the Bones*

Like a million little doorways
All the choices we made
All the stages we passed through
All the roles we played

For so many different directions
Our separate paths might have turned
With every door that we opened
Every bridge that we burned

Somehow we find each other
Through all that masquerade
Somehow we found each other
Somehow we have stayed
In a state of grace

I don't believe in destiny
Or the guiding hand of fate
I don't believe in forever
Or love as a mystical state
I don't believe in the stars or the planets
Or angels watching from above
But I believe there's a ghost of a chance we can find someone to love
And make it last...

Like a million little crossroads
Through the backstreets of youth
Each time we turn a new corner
A tiny moment of truth

For so many different connections
Our separate paths might have made
With every door that we opened
Every game we played

Somehow we find each other
Through all that masquerade
Somehow we found each other
Somehow we have stayed
In a state of grace

I don't believe in destiny
Or the guiding hand of fate
I don't believe in forever
Or love as a mystical state
I don't believe in the stars or the planets
Or angels watching from above
But I believe there's a ghost of a chance we can find someone to love
And make it last...

* Lee/Lifeson/Peart

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Like a tumbleweed




















"Aqui embaixo, na terra escura. Antes de irmos todos para o céu"
Jack Kerouac, em Viajante Solitário

* Escrito em 14/06/07

Citei num texto anterior as tumbleweeds, aquelas moitas secas que se desprendem das raízes no outono e se deslocam, rolando ao sabor do vento. São arbustos da família das quenopodiáceas, de origem em terras áridas e muito conhecidas por apreciadores dos filmes do “velho oeste”.

Significado dicionaresco, esse! Melhor ir em busca de outros, mais substanciais. O que são as tumbleweeds, senão um símbolo de absoluto desprendimento? Elas soltam-se, sabiamente, das raízes que as prendem. Rolam, aparentemente sem destino certo, o que é uma ilusão. Na verdade, o vento as está levando a grandes distâncias, mas sempre em um único rumo: a liberdade. E a jornada tem uma função extra. Enquanto rolam, elas espalham suas sementes pelo caminho.


Essas moitas são primorosamente redondas. Portanto, sem quinas ou arestas. São leves, sem o peso de uma vida presa ao mesmo chão. E representam o oeste, onde o moderno, embora derive do antigo, sempre dá a ele uma nova configuração.


A história dessas plantas livres, sem raízes ou donos, causa certa fixação. São secas, mas nem por isso, pouco vistosas. Algumas chegam a medir mais de dois metros de diâmetro. Sabem, como ninguém, como se compor – e recompor – sem deixar pontas soltas ou fiapos pendurados.
Crescem em ambientes considerados hostis, mas não sofrem os efeitos cáusticos que, salvo engano, também podem ser encontrados em cenários supostamente verdes e aconchegantes.

O melhor dessas moitas é que se deixam levar sem questionamentos. É certo que obedecem à vontade do vento, mas quem não gostaria de ser livre a esse ponto? Por dentro, são praticamente ocas, mas tratam de se preencher a si mesmas, sem se apossar de nada das outras plantas.
Se esbarram num obstáculo esperam, tranqüila e pacientemente, que o destino as provenha de uma força propulsora maior que desimpeça o caminho para continuar a jornada.

As tumbleweeds não desistem. Não perdem o equilíbrio. Não xingam, nem se lamentam. Não blasfemam. Apenas vivem. E são o que são...